terça-feira, 13 de novembro de 2012

O ensino das tecnologias na concepção de professores das Ciências no Ensino Médio


Introdução

A escola é cada vez mais cobrada pelos alunos em atender suas expectativas e anseios para um tempo extra-classe. Ou seja, exige-se que a escola lhes dê formação suficiente para enfrentar o mundo fora dela. Ao mesmo tempo, é comum os alunos questionarem ao professor o porquê de aprenderem determinados conteúdos, cuja resposta nem sempre é fácil.
Entretanto, a escola sozinha não poderia ser responsabilizada pela formação integral dos jovens que nela ingressam, embora tenha participação considerável na constituição desses sujeitos. Muitas disciplinas e conteúdos ensinados na escola são colocados em questão, pois em tempos de incertezas cresce a visão pragmática das coisas, no sentido de que deveriam ter uma aplicação, de preferência imediata.
Ocorre, todavia, que essa não é a única finalidade da escola, pois há que se considerar aspectos amplos de uma formação geral que sirva de instrumento de cultura e também para uma compreensão do mundo que nos cerca. Poderia esse ser um dos objetivos do ensino das ciências e, em particular, da física? Se a resposta for afirmativa, então haveria necessidade de superar o ensino da ciência/física para além de um amontoado de informações e pré-requisitos, que parece corrente no nível médio, e partir para uma ciência/física articulada com o mundo tecnológico, a fim de proporcionar ao aluno sua compreensão e acesso a conteúdos modernos da própria ciência e/ou da física. 
Nesse sentido, não seria suficiente a revisão dos conteúdos a ensinar, mas seria fundamental uma reorientação das práticas educativas e das concepções dos professores. Para a pergunta usual dos alunos “por que aprender isso?” é igualmente comum uma resposta, ainda que implícita, do tipo: você não percebe que eu estou lhe proporcionando o acesso ao conhecimento científico? Como pode você questionar a validade da ciência? De fato, a ciência se justifica por ela mesma, pois tem legitimação histórica e cultural, mas o seu ensino não. Na resposta dada acima essa distinção desaparece. Gérard Fourez (1992) destaca esse mesmo problema do seguinte modo:
Nossa maneira de ensinar as ciências são centradas nas teorias e nos modelos interessantes aos alunos; ou, ao contrário, nosso ensino é centrado sobre os interesses dos cientistas? Seriam nossos cursos de ciências não mais que uma maneira de os fazer entrar no mundo dos cientistas, do que uma forma de os ajudar a explorar seu mundo? (Fourez, 1992, p.47)


Nenhum comentário:

Postar um comentário