Introdução
A
escola é cada vez mais cobrada pelos alunos em atender suas expectativas
e anseios para um tempo extra-classe. Ou seja, exige-se que a escola lhes
dê formação suficiente para enfrentar o mundo fora dela. Ao mesmo
tempo, é comum os alunos questionarem ao professor o porquê de
aprenderem determinados conteúdos, cuja resposta nem sempre é fácil.
Entretanto,
a escola sozinha não poderia ser responsabilizada pela formação
integral dos jovens que nela ingressam, embora tenha participação
considerável na constituição desses sujeitos. Muitas disciplinas e
conteúdos ensinados na escola são colocados em questão, pois em tempos
de incertezas cresce a visão pragmática das coisas, no sentido de que
deveriam ter uma aplicação, de preferência imediata.
Ocorre,
todavia, que essa não é a única finalidade da escola, pois há que se
considerar aspectos amplos de uma formação geral que sirva de
instrumento de cultura e também para uma compreensão do mundo que nos
cerca. Poderia esse ser um dos objetivos do ensino das ciências e, em
particular, da física? Se a resposta for afirmativa, então haveria
necessidade de superar o ensino da ciência/física para além de um
amontoado de informações e pré-requisitos, que parece corrente no nível
médio, e partir para uma ciência/física articulada com o mundo tecnológico,
a fim de proporcionar ao aluno sua compreensão e acesso a conteúdos
modernos da própria ciência e/ou da física.
Nesse
sentido, não seria suficiente a revisão dos conteúdos a ensinar, mas
seria fundamental uma reorientação das práticas educativas e das concepções
dos professores. Para a pergunta usual dos alunos “por que aprender
isso?” é igualmente comum uma resposta, ainda que implícita, do tipo:
você não percebe que eu estou lhe proporcionando o acesso ao
conhecimento científico? Como pode você questionar a validade da ciência?
De fato, a ciência se justifica por ela mesma, pois tem legitimação
histórica e cultural, mas o seu ensino não. Na resposta dada acima essa
distinção desaparece. Gérard Fourez (1992) destaca esse mesmo problema
do seguinte modo:
Nossa
maneira de ensinar as ciências são centradas nas teorias e nos modelos
interessantes aos alunos; ou, ao contrário, nosso ensino é centrado
sobre os interesses dos cientistas? Seriam nossos cursos de ciências não
mais que uma maneira de os fazer entrar no mundo dos cientistas, do que
uma forma de os ajudar a explorar seu mundo? (Fourez, 1992, p.47)
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